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A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento) 
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Registrado em: Seg Abr 07, 2008 11:54 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
A TODOS QUE ESTAVAM E VÃO CHEGAR NESSE DEBATE!!! O QUE PODEMOS FAZER NA PRÁTICA?


O que acham de montarmos uma comunidade e um manifesto exigindo Rock Nacional de Verdade, onde de forma simples e direta, deixaremos claro para midia, bares, casas de shows, produtoras e todos do meio, que existe um monstro adormecido que pode levantar e dar um novo fôlego para esse apagado cenário musical.

Elaboramos em conjunto e distribuimos com cópia para todos, divulgamos em blogs, redes sociais e onde for possivel, talvez no formato de um selo, e pedimos para quem receber esse manifesto que se filie a nossa comunidade e assim criamos massa e dessa massa obter representatividade.

A única forma de recriar a cena é unir todos e com esse número, fazer com que as engrenagens do sistema rode a nosso favor. Com público, podemos abrir espaço em bares, rádios, web e desenvolver projetos que realmente tornem o rock nacional viável para o músico e o investidor.

Caso se interessem, segue meu email para elaborarmos o texto do manifesto e que for mais preciso: sub@subdimensao.com.br


Seg Jun 07, 2010 11:07 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Debate muito bom, mas como chato que sou...

Mazza escreveu:
Porque os americanos prezam o "self made man", o cara que sai do nada, trabalha como um cavalo, assume todos os riscos e cria a Microsoft, e o brasileiro admira o cara que repete numa prova o que aprendeu em um cursinho preparatório e entra em um concurso público, onde pode trabalhar 6 horas por dia e não corre o risco de ser despedido. É uma parada cultural. O brasileiro, a grosso modo, repete os modismos que o resto do mundo cria. Quantos "calouros" você vê por aí imitando grandes ídolos e tirando seu sustento disso? Isso é a cultura do brasileiro, o cover. Porque as baladas que têm bandas covers competentes costumam ter mais público? Porque o entretenimento descartável, a música do rádio e do Youtube é mais fácil de ser vendida do que um bando de caras tentando achar o seu próprio som e sua própria carreira.


1-Os americanos prezam o "self made man" quando ele está por cima... quando o cara "sai de moda", ele vira um bastardo qualquer.
2-Cara, me pareceu preconceituoso e falacioso isso que você falou sobre "concursos públicos", soou até como mágoa por um fracasso na área. Trabalhar 6 horas por dia é raridade e privilégio de poucas carreiras, dentro ou fora do serviço público (onde o padrão é uma das maiores cargas horárias do mundo - 40 horas semanais). E não existe isso de "não correr o risco de ser despedido", é pura balela. Se quiser mais esclarecimentos sobre isso pode abrir um tópico no OFF ou me perguntar por MP que explico direitinho.
3-Não vejo o fato de banda cover ter mais público que banda autoral, afinal a banda cover imita uma banda autoral de sucesso!
4-A grande verdade dita por você neste parágrafo foi o final: "o entretenimento descartável, a música do rádio e do Youtube é mais fácil de ser vendida do que um bando de caras tentando achar o seu próprio som e sua própria carreira". Os caras que são copiados pelas bandas cover já acharam seu próprio som e/ou sua própria carreira. Quando as demais bandas autorais fizerem o mesmo, terão a oportunidade de criticar (ou elogiar) as bandas cover que os estarão emitando....

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Ter Jun 08, 2010 2:27 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
villain escreveu:
Debate muito bom, mas como chato que sou...

Mazza escreveu:
Porque os americanos prezam o "self made man", o cara que sai do nada, trabalha como um cavalo, assume todos os riscos e cria a Microsoft, e o brasileiro admira o cara que repete numa prova o que aprendeu em um cursinho preparatório e entra em um concurso público, onde pode trabalhar 6 horas por dia e não corre o risco de ser despedido. É uma parada cultural. O brasileiro, a grosso modo, repete os modismos que o resto do mundo cria. Quantos "calouros" você vê por aí imitando grandes ídolos e tirando seu sustento disso? Isso é a cultura do brasileiro, o cover. Porque as baladas que têm bandas covers competentes costumam ter mais público? Porque o entretenimento descartável, a música do rádio e do Youtube é mais fácil de ser vendida do que um bando de caras tentando achar o seu próprio som e sua própria carreira.


1-Os americanos prezam o "self made man" quando ele está por cima... quando o cara "sai de moda", ele vira um bastardo qualquer.
2-Cara, me pareceu preconceituoso e falacioso isso que você falou sobre "concursos públicos", soou até como mágoa por um fracasso na área. Trabalhar 6 horas por dia é raridade e privilégio de poucas carreiras, dentro ou fora do serviço público (onde o padrão é uma das maiores cargas horárias do mundo - 40 horas semanais). E não existe isso de "não correr o risco de ser despedido", é pura balela. Se quiser mais esclarecimentos sobre isso pode abrir um tópico no OFF ou me perguntar por MP que explico direitinho.
3-Não vejo o fato de banda cover ter mais público que banda autoral, afinal a banda cover imita uma banda autoral de sucesso!
4-A grande verdade dita por você neste parágrafo foi o final: "o entretenimento descartável, a música do rádio e do Youtube é mais fácil de ser vendida do que um bando de caras tentando achar o seu próprio som e sua própria carreira". Os caras que são copiados pelas bandas cover já acharam seu próprio som e/ou sua própria carreira. Quando as demais bandas autorais fizerem o mesmo, terão a oportunidade de criticar (ou elogiar) as bandas cover que os estarão emitando....


Eu tava meio engasgado aqui. Você disse exatamente o que eu queria dizer!
Quanto ao último parágrafo, acho ainda que toda música é descartável, se não por todos, pelo menos por alguns grupos de ouvintes. Especialmente no nicho em questão (rock/pop). Raríssimas vezes uma música nesses estilos se torna um marco, um clássico, e, na maioria das vezes isso não se deve ao compositor/intérprete, mas sim ao produtor, ao marketing ou ao contexto social da música. Inclusive, o conceito de música pop, de acordo com o filósofo Mick Jagger, não vem de "popular" e sim de "pop corn", ou seja um milho de pipoca estoura e pronto, acabou, você não fica ouvindo o estouro pra sempre.

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Fabiano Afonso


Ter Jun 08, 2010 7:54 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Red, vejo dois problemas no manifesto, então vou jogar um pouco no lado do advogado do diabo:

1. Quem pode definir o que é "Rock Nacional de Verdade"? Você? Eu? Alguém aqui do fórum? É uma parada subjetiva, e vai do gosto pessoal de cada um. Pra uma população (restrita, eu sei), o tal "Rock Nacional de Verdade" é Krisiun, Angra, Sepultura, Korzus - chame de metal, metal melódico, trash, death, o que quiser, mas ainda cai na categoria rock. E gosto pessoal goela abaixo não funciona.....

2. Feito o manifesto, o que faremos depois? Conseguiremos espaço pra tocar em casas de show pela mesma bilhleteria dividida com o dono do bar que costumamos tocar? E o mercado, como vai absorver esse produto? Você garante que, uma vez que o produto "Rock Nacional de Verdade" do jeito que você idealiza for mostrado pro cara que escuta NXZero (por falta de opção) ele vai mudar de banda preferida?

Vamos desenvolver o pensamento, acho que temos algo legal aqui.

Villain, vou responder pelos números que você postou pra ficar mais didático.

2. Não tenho nenhuma mágoa com o serviço público. Nunca prestei nenhum, nunca pensei em trabalhar atrás de uma mesa nem por um minuto da minha vida (por isso sou músico desde que abandonei a faculdade, em 2000) e tenho uma mãe que tem 34 anos de Assembléia Legislativa em SP. Acredite, eu sei como a coisa funciona e por isso postei o que postei.

3. Você trabalha com música? Já trabalhou com bandas covers e com bandas autorais? Frequenta casas de show com os dois públicos? Faço essas perguntas na boa, sem stress ou qualquer tom de acusação. A minha realidade pode ser diferente da sua.

4. Mas é exatamente esse o X da questão: como as bandas autorais hoje "famosas" acharam seu próprio som? Qual era a realidade da cena quando os Paralamas do Sucesso e os Titãs despontaram? E quando o Skank e o Jota Quest despontaram? E agora, com os NXZero e Fresno? São 3 realidades diferentes e 3 momentos diferentes da música brasileira, e acho que o que o Red (e eu também) pensa em resgatar é uma realidade próxima à do tempo dos Paralamas e Titãs, onde era o público que buscava as bandas, e não o contrário. Viajei, Red? Povo que viveu essa época, era isso mesmo?

Abraço!

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Ter Jun 08, 2010 9:06 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Cara, adoro bater um papo com gente consciente e ponderada como você! Me faz avaliar se realmente estou "pensando" direito, e isso é ótimo.

Não trabalho mais com música, pois não encontrei satisfação pessoal quando o fazia. E olha que estive envolvido tocando na night (sempre trabalhos autorais), trabalhei em estúdio, tive loja de instrumentos, trabalhei como representante de marca de instrumentos... Acompanhei alguns artistas em festivais independentes, festas e exposições Brasil adentro, mas isso nunca me agradou muito. Acho que caí na real quando cheguei à conclusão que os melhores momentos que eu passava (relacionados à música) eram nos projetos despretensiosos, tocando com amigos e/ou no homestudio, estudando.

Depois disso continuei tocando (hobby) nessas ocasiões que me agradavam mais, e passei a trabalhar em outro segmento que fosse capaz de sustentar o meu caso de amor com as guitarras. Recentemente, na época que trabalhei no Ministério do Meio Ambiente acabei me enturmando com alguns músicos (o prédio é compartilhado com o Ministério da Cultura, então lá é a maior concentração de bicho grilo/m2 desde woodstock) e decidimos fazer um trabalho diferente do que eu já havia feito, seria acoustic blues e folk, foi minha primeira experiência não-autoral. Até hoje não vingou, mas me divertiu bastante.

No auge da minha banda de rock autoral, percebemos que uma coisa legal eram os grandes festivais independentes. Porão do Rock em Brasília, Festival Calango em Cuiabá, Bananada em Goiânia, etc. Mas em poucas edições, pude perceber que estes festivais transformaram-se numa "panelinha" onde, ou o que conta é a grana e perde-se o caráter democrático e independente, ou o que conta é o gosto pessoal da organização, onde perde-se totalmente a chance de obter qualquer foco no mercado.

Pra minha surpresa, minha antiga banda de rock autoral vai se reunir (cada um mora em uma cidade diferente hoje) em julho para tocar só covers em uma curta temporada em uma cidade turística. Quem sabe agora eu me divirta mais... vamos ver.

Acho que a minha grande deficiência neste debate é que não tenho uma visão crítica do mercado. Acho que estou pouco me lixando pra ele, na verdade. Mas posso falar enquanto público: por um lado, eu não costumo mais buscar com tanta curiosidade coisas novas, e por outro, tenho a tendência a rejeitar aquilo que é massivamente apresentado na grande mídia.

Por fim há uns 4 anos estou morando em Brasília. Quando eu morei em outras cidades, sempre ouvia: "Brasília, a capital do Rock". Sinceramente, isso deve ter acabado muito antes de eu mudar pra cá... Aqui até tem umas casas em que os dois públicos frequentam, mas não sei até que ponto acontece a mesma situação que o Red relatou. Em Goiânia, tem locais bacanas onde tocam todo tipo de bandas e trabalhos, sempre de casa cheia. Pra você ter noção, em um mesmo mês lá, na mesma casa, tocaram Ritchie Kotzen, Terra Celta e Johnny Winter - todos de casa cheia, com direito a metaleiros cabeludos totalmente sérios e patricinhas gritando e descabelando. vai entender... eu acho ducaralhu essa situação!

Acho que o lance do serviço público não traz nada pra essa discussão, então fazendo um OFF aqui... Com certeza a realidade do Judiciário de SP (e 34 anos é tempo pra caramba com certeza vc conhece bem por aí) é bem diferente do que eu vivencio no Executivo Federal. Eu trabalho (pra caramba) com políticas públicas sérias, beneficiando quem realmente precisa, fomentando economia, educação, desenvolvimento cultural e tecnológico... e aqui, gente "mala" é demitida de verdade, mesmo se "concursados". Mas trabalho em área técnica, e não política. Geralmente os órgãos políticos e cargos indicados politicamente são mais problemáticos, mas o governo muda e eles voltam pra casa deles. Enfim, viva a diversidade de profissões, e lutemos pela moralização do serviço público. Eu me orgulho de prestar o serviço que desempenho, mas fico puto quando vejo um preguiçoso "mamando" dinheiro do Estado(povo).

putz acho que consegui escrever umas 50 linhas sem dizer nada importante, por isso, peço desculpas hehehe

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Ter Jun 08, 2010 10:50 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Senhores,

Parabéns pelo alto nível de debate, isso só enriquece e é uma puta atitude contra a inércia.


Red, vejo dois problemas no manifesto, então vou jogar um pouco no lado do advogado do diabo:

1. Quem pode definir o que é "Rock Nacional de Verdade"? Você? Eu? Alguém aqui do fórum? É uma parada subjetiva, e vai do gosto pessoal de cada um. Pra uma população (restrita, eu sei), o tal "Rock Nacional de Verdade" é Krisiun, Angra, Sepultura, Korzus - chame de metal, metal melódico, trash, death, o que quiser, mas ainda cai na categoria rock. E gosto pessoal goela abaixo não funciona.....

- Ninguem podefinir o conceito e estilo musical chamado Rock Nacional, mas nossas atitudes quanto roqueiros e músicos brasileiros, podem sim ser questionadas e cobradas por nós mesmos, e esse tópico é exatamente isso; atiçar o movimento, a cobrança, o debate, a conquista de espaço.


2. Feito o manifesto, o que faremos depois? Conseguiremos espaço pra tocar em casas de show pela mesma bilhleteria dividida com o dono do bar que costumamos tocar? E o mercado, como vai absorver esse produto? Você garante que, uma vez que o produto "Rock Nacional de Verdade" do jeito que você idealiza for mostrado pro cara que escuta NXZero (por falta de opção) ele vai mudar de banda preferida?

[color=#004080]- Eu trabalho com Marketing e acredito em projetos e resultados. O manifesto é um ato simples, indolor e semeador de idéias. Que nasça daí um viral, e com isso, outros debates surgirão, e desses, novas propostas, e assim cria-se uma primeira engrenagem, que se unirá a outras até que a máquina começe a se mover.

- Vc fez uma observação interessante sobre o cara que ouve NXZERO. Eu acho o seguinte: Liberdade em 1º lugar, qualquer um pode ouvir o que quiser, mas será que o "cara" teve chance de ouvir OS MALDITOS ROCK BAND, de fortaleza, que fazem um som muito legal? Existe alguma rádio que toca um som nesse estilo? e se tirarmos o discurso do garimpo, fica evidente que NÃO TEMOS ESPAÇO, daí milhares de trabalhos legais estão enterrados em algumas gavetas, ou não conseguiram sobreviver neste modelo rídiculo que é o mercado musical brasileiro, que tem hojerizah da renovação sem controle, notem que nessa dita nova geração, a maioria é de laboratório, classe média e filhinhos de papai, que fazem música sobre as espinhas e o carrão novo.

Nossa arte e poesia é maior do que isso e quando falo de união é mostrar que também somos um nicho, temos potencial de mercado e consumo e podemos sim ter representatividade e diante deste equilibrio visível, deixar o "cara" que ouve NXZERO, ouvir um monte de outras coisas e decidir qual ele curte mais.


Vamos desenvolver o pensamento, acho que temos algo legal aqui. COM CERTEZA!!![/color]


Qua Jun 09, 2010 12:07 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Red, isso é uma grande verdade.
O cara que ouve "NXZERO" (generalizando) não escolheu isso.
A mídia escolheu por ele, e ele não percebe isso(e/ou nem se importa).

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Qua Jun 09, 2010 12:22 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Villain, pode ter certeza que a recíproca é verdadeira. Discussão com gente inteligente é uma das minhas atividades favoritas, rsrs....

Acho importantíssimo você ter postado o que postou, nos dá uma idéia da sua trajetória musical e, pelo menos pra mim, dá um panorama legal do posicionamento dos seus comentários. O legal que você passou por praticamente todos os "estágios" de um músico brasileiro - acompanhou gente, tocou covers, fez as suas músicas, trabalhou em loja, estúdio, tocou por prazer e por necessidade, tocou o que gosta e o que não gosta. Isso pesa na hora de ouvir o que você tem a dizer, porque a sua opinião - hoje de espectador - vem carregada de experiência de quem já fez.

Acho que o trabalho, "nas internas", não muda muito mesmo; continuamos lidando com panelas, gente incompetente, gosto pessoal e empresários/donos de casa/produtores mercenários. O grande lance é como se posicionar em relação a tudo isso e quais as saídas pra mudar essa situação. Vou destacar uns pontos importantes do seu post:


No auge da minha banda de rock autoral, percebemos que uma coisa legal eram os grandes festivais independentes. (....) o que conta é o gosto pessoal da organização, onde perde-se totalmente a chance de obter qualquer foco no mercado.

Pois é, mas isso é um problema que acontece desde que os fetivais foram iniciados. Os Mutantes, os tropicalistas, todo mundo que foi tentar mostrar algo diferente do que se ouvia na época - no caso, a MPB careta - foi vaiado e teve dúvidas se valia a pena voltar ou não. O grande lance é saber se munir de uma dose de política e "papo de vendedor" (com limites, hehe....) pra ter uma chance de mostrar o trabalho em meio a todas as modinhas e bandas pré-aprovadas pelo famoso QI. É difícil? É. Mas é possível, e tem que ser feito. Às vezes converso isso com amigos não-músicos: eles acham que a música é um mercado feito de bichos-grilos, aonde não há politicagem e aonde ninguém se improta com dinheiro, somente com a arte. Bullshit. Pra ser um músico nesse país você precisa ser advogado, vendedor, contador, administrador de empresase político, pra só depois ser músico.


Acho que a minha grande deficiência neste debate é que não tenho uma visão crítica do mercado. Acho que estou pouco me lixando pra ele, na verdade. Mas posso falar enquanto público: por um lado, eu não costumo mais buscar com tanta curiosidade coisas novas, e por outro, tenho a tendência a rejeitar aquilo que é massivamente apresentado na grande mídia.

Aí você pisou exatamente no calo! Na minha opinão esse não é um problema seu, é um problema sintomático da população brasileira. O povo não procura o novo, ele é apresentado ao novo. Não há mais o burburinho da cena independente, aonde os fãs de música vão atrás de bandas novas, trabalhos novos, uma cena nova. Está bom como está, e todo mundo está esperando o próximo sucesso das paradas sentadinho em casa. A cena está aí. E acho que é esse o ponto do Red, educar o público a procurar o novo por si só.

E bom saber que tem gente como você e minha mãe no serviço público. É assim que se muda um país - com trabalho, honestidade e cultura em lugares estratégicos, pra se contaminar toda a população, rsrs...

Red, vou por partes em nome da didática:

Eu trabalho com Marketing e acredito em projetos e resultados. O manifesto é um ato simples, indolor e semeador de idéias. Que nasça daí um viral, e com isso, outros debates surgirão, e desses, novas propostas, e assim cria-se uma primeira engrenagem, que se unirá a outras até que a máquina começe a se mover.

Perfeito, a gente encadeia uma coisa na outra. Você acha que conseguiremos dar continuidade nesse tipo de ação?

fica evidente que NÃO TEMOS ESPAÇO, daí milhares de trabalhos legais estão enterrados em algumas gavetas, ou não conseguiram sobreviver neste modelo rídiculo que é o mercado musical brasileiro

Perfeito de novo. Mas levo pra outro lado pra abrir a discussão: você não acha que o mercado hoje é um pouco diferente em termos de divulgação? A Internet se prova, a cada dia, uma das mais poderosas ferramenta que temos em mãos pra fazer algo se concretizar - há pouco foi o ficha limpa com as assinaturas, e dia a dia vemos sucessos instantâneos de vídeos bobos, engraçados ou sei lá o que - que obviamente não têm conteúdo pra se tornar algo maior - com milhões de views, menções em TV aberta e sei lá mais o que. Pegue uma Susan Boyle, por exemplo: entrou num programa de TV a cabo (por definição visto por uma população restrita), cantou pra c*ralho, virou febre na Internet, foi gravar um CD e esse vendeu mais de 700.000 cópias na primeira semana. É claro que isso não vai acontecer repetidamente, mas você não acha que uma ação bem direcionada na Internet pode abrir portas e chamar a atenção para a cena de maneira mais "natural"?

Abraço!

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Qua Jun 09, 2010 11:25 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
villain escreveu:
Red, isso é uma grande verdade.
O cara que ouve "NXZERO" (generalizando) não escolheu isso.
A mídia escolheu por ele, e ele não percebe isso(e/ou nem se importa).


x2... sad but true!!!

É mais facil nao ser senhor soberano de suas decisões, da sua vida... "todos" buscam um mentor, guru, lider espiritual que os digam oq fazer...
Entao, pra que buscar coisas novas, pra que criar "problemas" e atritos com seus amigos, tentar ver o mundo de uma forma nova, diferente... pra que sair da inércia!?!?
Esse é o grande problema.
Eu tenho uma frase que uso muito... "Comodidade custa caro"
Se aplica tb nesse caso... é muito mais comodo ir na baladinha da moda, com as patricinhas chupando pirulito, que procurar um bar com rock de gala, com uns cabeludos de preto. Mas são esses caras que podem fazer vc pensar diferente, perceber uma outra realidade, abrir sua cabeça e seu mundo para novas ideias...
Mas me pergunto novamente... pra que!?!? Da trabalho!!! Cansa... faz pensar.
Numa época em que vivemos de enlatados, pensar atrapalha, incomoda.
Viva NX Zero, Fresco, Strike, Restart, Beyonce e hip hops em geral...
Pra mim, o problema é dessa geração indignada de sofa!!!
Viva o pais da piada pronta!! (parafraseando o Macaco Simão)
Agora vou pingar meu colirio alucinogeno... :mrgreen:

Abs 8)


Qua Jun 09, 2010 11:30 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Tenho 50 anos e sou viciado em rock. Sou da cidade de São Paulo, mas hoje moro no Vale do Paraíba.

Tenho uma banda de rock progressivo autoral que foi formada em 1972 e existe até hoje. Nunca fiz sucesso. Mas nos anos 80 e 90 essa banda esteve inativa. Portanto não peguei a fase áurea do rock no Brasil.

Também tenho uma banda de rock cover no Vale do Paraíba (estou a 4 anos nessa banda que tem quase 10 anos de existência).
Essa banda cover tem contrato com gravadora e estamos gravando nosso primeiro disco autoral.

O Vale do Paraíba é, segundo uma reportagem do Caderno 2 do Estado de São Paulo a segunda região onde tem a maior atividade autoral de música no Brasil.

O primeiro lugar é Goiânia com música sertaneja e no vale o que predomina é pop-rock.

Shows de música sertaneja chegam a juntar 30.000 pessoas nessa região e acontecem vários todos os finais de semana (autorais ou cover).

Já as bandas de pop-rock conseguem juntar no máximo 100. E ainda tocam uma ou outra música autoral nos shows, pois o que chama público mesmo são os covers.

E olha que as rádios da região dão a maior força e colocam várias músicas dessas bandas na programação.

Isso é tão estranho (tanta banda de rock numa grande região rica e que não vai aos shows) que até um documentário sobre a cena musical do vale foi feito.

http://bass.forumeiros.com/audio-videos ... -t7473.htm

Depois de tanto escrever tenho minha asseveração:

O Brasil é o pais da música sertaneja. Tudo que você fizer tem grande chance de dar certo. Todo o resto é sazonal (até Axé, que daqui a pouco será esgotado). Faz sucesso por um certo tempo (10 anos) e depois some.

Portanto, se você gosta de rock, ficará eternamente isolado, pois o tempo do rock já passou. Simples assim. Não adianta movimento, união, apoio, ou o que for.

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Expressão (Maurício)


Qui Jun 10, 2010 1:12 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Expressão escreveu:
Tenho 50 anos e sou viciado em rock. Sou da cidade de São Paulo, mas hoje moro no Vale do Paraíba.

Tenho uma banda de rock progressivo autoral que foi formada em 1972 e existe até hoje. Nunca fiz sucesso. Mas nos anos 80 e 90 essa banda esteve inativa. Portanto não peguei a fase áurea do rock no Brasil.

Também tenho uma banda de rock cover no Vale do Paraíba (estou a 4 anos nessa banda que tem quase 10 anos de existência).
Essa banda cover tem contrato com gravadora e estamos gravando nosso primeiro disco autoral.

O Vale do Paraíba é, segundo uma reportagem do Caderno 2 do Estado de São Paulo a segunda região onde tem a maior atividade autoral de música no Brasil.

O primeiro lugar é Goiânia com música sertaneja e no vale o que predomina é pop-rock.

Shows de música sertaneja chegam a juntar 30.000 pessoas nessa região e acontecem vários todos os finais de semana (autorais ou cover).

Já as bandas de pop-rock conseguem juntar no máximo 100. E ainda tocam uma ou outra música autoral nos shows, pois o que chama público mesmo são os covers.

E olha que as rádios da região dão a maior força e colocam várias músicas dessas bandas na programação.

Isso é tão estranho (tanta banda de rock numa grande região rica e que não vai aos shows) que até um documentário sobre a cena musical do vale foi feito.

http://bass.forumeiros.com/audio-videos ... -t7473.htm

Depois de tanto escrever tenho minha asseveração:

O Brasil é o pais da música sertaneja. Tudo que você fizer tem grande chance de dar certo. Todo o resto é sazonal (até Axé, que daqui a pouco será esgotado). Faz sucesso por um certo tempo (10 anos) e depois some.

Portanto, se você gosta de rock, ficará eternamente isolado, pois o tempo do rock já passou. Simples assim. Não adianta movimento, união, apoio, ou o que for.



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Fabio Pagotto


Qui Jun 10, 2010 1:21 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Expressão escreveu:
O Brasil é o pais da música sertaneja. Tudo que você fizer tem grande chance de dar certo.

Isso explica o sucesso de bandas com NXZero, Fresno e afins.

Afinal, o "emocore" tupiniquim não passa de música sertaneja tocada com power chords e andamento acelerado.

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Happiness is a warm tube...


Qui Jun 10, 2010 1:47 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Mazza escreveu:
Aliás Petracco, sou fã do seu play (tudo o que você apresenta, por sinal) há um tempo já, acompanho a G&G no Orkut direto! Rsrs...

Opa! Agora que vi isso, relendo os posts. Agradeço demais, Mazza.
Mas até me desliguei da tal comunidade. Falta tempo pra batalhar o sustento, né? Normal.
Aproveito pra parabenizar os GCs pelo debate, sou fã disso aqui.

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Marcio Petracco

I ain't no thief, I'm a steeler!


Qui Jun 10, 2010 4:07 pm
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
quito escreveu:
Expressão escreveu:
O Brasil é o pais da música sertaneja. Tudo que você fizer tem grande chance de dar certo.

Isso explica o sucesso de bandas com NXZero, Fresno e afins.

Afinal, o "emocore" tupiniquim não passa de música sertaneja tocada com power chords e andamento acelerado.


Nenhuma dessas bandas ficará fazendo sucesso mais que 5 anos. Escreva o que digo. Isso é uma onda que já está passando também, assim como o rock já passou.

Mas isso não é ser saudosista ou melancólico ou nada disso. É só ser realista.

Se eu fosse viciado em polka como sou de rock não iria fazer movimento de volta ou afirmação da polka. Iria tocar em algum clube que tivesse um bando de velhos que gostasse disso, sem dramas.

É o que pretendo fazer com o meu vício sobre o rock. Juntar um bando de velhos num bar que ainda aceite escutar uma banda de rockeiros e ser feliz.

Só isso.

_________________
Expressão (Maurício)


Editado pela última vez por Expressão em Sex Jun 11, 2010 10:57 pm, em um total de 1 vez.

Qui Jun 10, 2010 8:53 pm
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Registrado em: Seg Abr 07, 2008 11:54 am
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Mensagem Re: A Verdade sobre o Rock Nacional (Movimento)
Grande Nitro,

Cara no 1º tópico falo exatamente desse fato, mas discordo quanto a sua conclusão pelos seguintes argumentos, que exponho esquecendo um pouco gosto pessoal por Rock, valorizando a frieza dos dados que podem transformar esse movimento em uma cena sustentável:

Nosso Público Alvo:

- Acima de 25 anos
- Bom nível cultural
- Possivelmente casado
- Classe B na maioria com afluentes A e C
- Tem um estilo musical voltado a interação, colecionando discos, lendo letras, acessando material na web e forte ligação com clássicos do Rock.
- Não vai a shows sem uma estrutura bem definida
- Compra CDs para conhecer material novo
- Gasta mais de R$ 100 com cultura
- Lê jornais e se intera do mercaod multimidia
- Não empresta livros nem CD´s
- Boa parte Já foi músico ou tentou em épocas juvenis.

O estudo acima foi feito por mim, quando trabalhava numa grande empresa de Telecon que possui foco neste segmento. Esse perfil dá dimensões para vc e eu entendermos o porque que os bares estão vazios, onde o maior motivo é nossa cena PÍFIA que não atrai nada mais do que moscas.
Os shows de sertanejos estão lotados, funk também, mas observe o perfil de quem procura esse movimento! Obviamente não temos o direito de julgar nada e nem ninguem, mas existe um publico alvo volumoso e 10 vezes mais fiel do que qualquer um de outra vertente, que só vai sair da toca quando perceber que existe qualidade, estrutura e ousadia nesse tão falado Rock Nacional.

Eu acredito que é viável, algumas empresas também e estão prontas para investir, só falta surgir algo que preencha essa lacuna que esta escancarada, o que na minha opinião sem a força e união para ganhar massa, não vira, pois não estamos falando de uma banda ou outra, estamos falando de um MOVIMENTO.

Eu tô na luta!!!


Qui Jun 10, 2010 11:05 pm
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